sábado, 26 de dezembro de 2009

cegueira

Uma cena séria e amarga ganha tanta beleza quando olhada de fora (e com intenções de se encontrar beleza) que eu me descobri criando filmes ou livros em situações do dia-a-dia. O problema é que não deve ser muito reconfortante desabafar para uma pessoa que penda um pouco de lado a cabeça e não ouça o que você diz com a devida preocupação de resolver o seu problema, mas sim de encontrar alguma beleza que anule a própria preocupação.
Não é a primeira vez que me vem essa capacidade de enxergar outras cores. E veio o mesmo peso por não encarar a realidade, por me utilizar dela pra criar algum mundo paralelo.
A questão não é deixar de ser realista. É que eu deixo todo mundo pra trás, com os monstros do mundo real, numa fuga de puro egoísmo.
Só queria conseguir convencê-los dessas diferentes faces do prisma, levá-los comigo! Daí não haveria mais problema algum...

as idéias natimortas

Mesmo num dia quente, em que todos estejam gastando seus minutos em diversas atividades improdutivas para tornar suas vidas menos monótonas, alguma coisa de vontade se arrasta pelo piso frio até o tapete, até minhas unhas do pé -- e invade-me.
Um texto diferente, um desenho que me glorifique, um vídeo que os façam rir. Alguma idéia de sucesso, nunca completa. Uma que nunca se tornará completa, graças ao medo de destruir sua pureza de simples idéia com a sujeira de trabalho superficial. Porque minhas capacidades sempre estão aquém do que eu imaginava.
Hoje, no sofá, estando ao lado de algum livro infantil que não me caiu no gosto, voltou-me a vontade de escrever e ilustrar algo simples, ingênuo, talvez para que meus sobrinhos lessem e dissessem como a tia é legal, desenha bem, e que estória interessante!
É querer concluir alguma coisa. Receber a glória sem ter de começar pela base, pelo trabalho ou desconhecimento.
E o tempo, sempre passando.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

asfixia

essa expectativa toda
e o transbordamento de
sensações que eu engulo
me frustram
me frustram!
são tantas intensidades diferentes
cores e temperos aos quais me abro
pra uma mistura interior, uma construção silenciosa
e posterior expressão
que asfixio
toda vez que me censuro
(sempre)

parece que o tempo passa
e eu sou ainda a mesma:
a mesma conserva de sentimentos explosivos enlatados.