Em certo momento, veio ao ar um comentário antigo, e sobre o qual já havia me pegado pensando várias vezes: vale a pena, enfim, perder a vida por uma causa?
Ninguém soube o que dizer, a princípio. Ele realmente deseja deixar a vida de lado para encontrar algo grande enquanto pesquisador na área de Física Quântica. Algumas idéias depois, veio até o poema, de Fernando Pessoa:
Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo
e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
É certo que, para existir humanidade, devem existir alguns como Fernando Pessoa. Só não consigo acreditar que valha a pena esquecer-se do que se considera vida, sendo ela o que temos de certo.
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